Teorias e práticas da Psicologia Social

Psicossocial

Arquivo de Posts

O que é o socialismo, hoje

16 / Março / 2009 por Augusto Galery

Há exatos 30 anos, em março de 1979, o Prof. Paul Singer finalizava seu livro “O que é o socialismo, hoje” (lançado pela Editora Vozes, em 1980). Ao fazer 30 anos, o livro continua atual em sua idéia central. Por outro lado, as mudanças pelas quais a humanidade passou nessas 3 décadas foram bastante radicais.

A tese que guia o livro é o fato de que o socialismo - e, em especial, as formas de se chegar a ele - “tem que ser redefinido à medida que seu contrário, o capitalismo, evolui” (p. 20).  O autor justifica tal fato lembrando que, apesar de as aspirações dos trabalhadores - igualdade econômica e social, democracia política - permanecerem as mesmas, desde o lançamento do manifesto comunista de Marx e Engels, o embate entre capital e trabalho vem fazendo com que o capitalismo se ‘molde’ às novas exigências.

Mostra clara disso é o que vem sendo chamado de ‘reestruturação produtiva’. As empresas introduzem em seu discurso novas formas de dominação, não mais baseadas na força, mas na sedução, na possibilidade de participação e na necessidade, diante das crises, de acelerarmos nosso trabalho e ‘vestirmos a camisa’ da empresa. Ficamos mais próximos do socialismos, diante desses fatos? Os teóricos críticos da reestruturação produtiva dirão que não. Apenas se modificou a forma de tratamento, mas a desigualdade e o autoritarismo continuam.

Assim, é necessário modificar as formas de se lutar pelo socialismo. Para o Prof. Singer, “a reformulação mais drástica é provavelmente a rejeição da idéia de que o socialismo deve ser implementado a partir da conquista do poder político” (p. 69). As experiências passadas mostram que o socialismo que concentra o poder nas mãos do Estado está fadado a não alcançar a igualdade e liberdade e, portanto, a não ser socialista.

Não à toa, o Prof. Paul Singer, 30 anos depois do lançamento desse livro, ocupa o cargo de Secretário Nacional de Economia Solidária. Em seu livro, o autor já afirmava que, para se alcançar o socialismo, seria necessário mais do que uma mudança macropolítica. A modificação deveria estar na base, diretamente na forma com que o povo entende a organização social e do trabalho. “A luta pelo socialismo torna-se assim uma prática de libertação” (p. 71).

Referências bibliográficas
SINGER, Paul.O que é o socialismo, hoje. Petrópolis: Vozes, 1980.
NAVARRO, V. Produção e Estado de Bem Estar: o contexto das reformas. In: LAURELL, A. C. (org.) Estado e políticas sociais no neoliberalismo. São Paulo: Cortez, 1995.
LEITE, Márcia P. Trabalho e sociedade em transformação: mudanças produtivas e atores sociais. São Paulo: Perseu Abramo, 2003.

Arquivado em Resenha tendo nenhum comentário »

Arquivo de Posts

Representações Cotidianas: Para além do senso comum e das representações sociais, por Paulo Cardinale

25 / Outubro / 2008 por Augusto Galery

O psicólogo e professor Paulo Cardinale fez a gentileza de resenhar o livro Senso comum, representações sociais e representações cotidianas, de Nildo Viana, para o psicossocial.com.br.

O livro traz uma crítica ao conceito de representação social e, de acordo com o autor da resenha, “é uma obra que merece uma atenção especial de psicólogos (especialmente os psicólogos sociais), sociólogos, epistemólogos, historiadores e outros profissionais da área de ciências humanas. A razão disso está no caráter amplo da obra, que abarca a temática do ’saber cotidiano’ de forma simultaneamente psicológica, histórica, sociológica, epistemológica”.

Para ler a resenha, faça o download aqui: Representações Cotidianas: Para além do senso comum e das representações sociais, por Paulo Cardinale (o artigo está em PDF).

A equipe do psicossocial.com.br agradece imensamente a participação do autor e deseja aos leitores uma boa leitura!

Referência:

VIANA, Nildo. Senso comum, representações sociais e representações cotidianas. Bauru: São Paulo: Edusc, 2008.

Arquivado em Resenha tendo 1 Comentário »

Arquivo de Posts

Isabel V. Marazina

2 / Maio / 2008 por Liliane

Dia 30/04 o Núcleo Violências: sujeito e política do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da PUC-SP promoveu uma palestra:

A clínica como política da subjetividade: uma leitura de como as políticas públicas formam/conformam o trabalho da clínica.

Isabel V. Marazina é psicanalista e analista institucional, supervisora clínico-institucional de diversas equipes e serviços de saúde/educação/assistência social.

É membro correspondente ativo da Associação Psicanalítica de Porto Alegre e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa do Laboratório de Saúde Mental Coletiva (LASAMEC) da Faculdade de Saúde Pública- USP

Estas questões são relevantes e nos fazem pensar no que cabe a cada um sustentar em seu trabalho, com o propósito de levar adiante um projeto, que sendo particular não deixa de ser político.

  • Conflitos políticos: “não é a excelência técnica que garante a aceitação de um projeto. Pode ser que, exatamente por isto, ele seja reprovado”.
  • Na instituição: “a clínica psicanalítica, é preciso depurá-la e se perguntar: de que lado o sujeito está? O que o analista pode fazer aí?”.
  • O consultório e a política: “não é verdade que se nos colocarmos no consultório estaremos a salvo”
  • O jogo: “estratégias que pervertem toda uma estrutura revolucionária, sem mexer em nada; apenas incluindo aí a lógica da produtividade”
  • Democracia: “a interdisciplinaridade como um recurso para sustentar uma estrutura democrática. Qualquer desqualificação do saber do outro, seja qual for o seu discurso, é um ato autoritário. É um ato político. Nenhum ato técnico deixa de ser político.”
  • Neoliberalismo: “há interesse no Neoliberalismo em sucatear todo o serviço público, para então dizer: ‘está vendo, como não serve’”?
  • Rede: “as ações conjuntas potencializam a rede e a resistência política em meio ao desmoronamento dos serviços. Ao individualismo a gente tem que responder com a articulação”.
  • A Clínica: “é preciso fazer uma adequação da clínica. As elites sempre acharam que os pobres têm de ser impermeáveis aos encantos da publicidade”.
  • O trabalhador: “o limite do corpo do trabalhador: quanto você agüenta segurar a angústia enlouquecida do outro?”.

Arquivado em Resenha tendo nenhum comentário »

PsiPesquisa
  • Mecanismo de Busca RedePsi


  • Buscar no site: