Teorias e práticas da Psicologia Social

Psicossocial

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Blog sobre AEE

7 / Fevereiro / 2011 por Augusto Galery

A jornalista Meire Cavalcante lançou, em outubro do ano passado, um blog colaborativo sobre as atividades de educaçao inclusiva, focando professoras e professores que atuam no Atendimento Educacional Especializado (AEE).  Um belo trabalho de colaboração, mostrando opiniões diversas de pessoas no dia a dia da inclusão.

http://semeandoaee.blogspot.com/

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Elinor Ostrom

19 / Outubro / 2009 por Augusto Galery

O Prêmio Nobel de economia foi dado, esse ano, para Elinor Ostrom. Os jornais alardearam o fato dela ser a primeira mulher a ganhar um nobel nessa categoria, o que é digno de nota. Mas o trabalho com o qual ela ganhou o prêmio parece ainda mais merecedor de atenção.

Seu trabalho critica a gestão dos espaço de uso comunitário tanto pelo Estado quanto por empresas privadas, ou qualquer forma de poder coercitivo. A partir de suas pesquisas, ela conclui que é possível que espaços de uso comum e com recursos comunitários sejam gerenciados efetivamente por organizações voluntárias dentre os usuários daquele espaço.

Ainda preciso ler o livro com calma, mas, à primeira vista, me parece que ela dá base de dados às idéias dos grupelhos autogestivos, como os defendidos por Guattari e Baremblitt. Aponta, portanto, uma terceira via, que não o capitalismo neoliberal ou o socialismo burocrata. Algo no sentido de uma anarquia autosustentável, talvez?

Partes do livro Governing the commons, de sua autoria, está disponível na Internet, no endereço: http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=4xg6oUobMz4C&oi=fnd&pg=PR11&dq=elinor+ostrom&ots=aL8uuLiK_e&sig=ThMYd0mfIYWS2fpMkqbRllbYJ1g#v=onepage&q=&f=false

(agradeço a dica de Barbara Costa)

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Capitalismo e Ética

21 / Setembro / 2009 por Augusto Galery

Le Monde Diplomatique Brasil, desse mês, é temática sobre a legalização das drogas. É um debate complexo, na minha opinião. Uma das reportagens, por exemplo, de Victor Palomo, defende a legalização dizendo que “a dependência química é de uma minoria” (p. 12) e justificando tal afirmação, entre outros argumentos, através do dado de que “a maior parte das internações por abuso de substâncias que alteram a consciência acontece peo uso indevido de drogas lícitas” (p.12) (ou seja, álcool e medicamentos). Acho esse argumento bastante simplificador: certamente, as drogas lícitas são muito mais facilmente encontradas. Mas não é essa a questão que me chama mais atenção.

Caco Barcellos dá uma entrevista e cita um estudo feito na Inglaterra. Cito aqui parte da entrevista:

“[…] ele investigou o perfil do traficante e concluiu que há grande semelhança deste com os executivos das transnacionais. […] O horizonte de ação desses executivos é muito estreito, nele não existe futuro, apenas o lucro acima de qualquer coisa. A única diferença em relação aos traficantes é que um tem uma atividade legal e o outro ilegal, mas a ambição é a mesma e a forma como se relacionam com os subalternos também. Por exemplo: usam o menor número de servidores possível e com salário no limite. É a hiperconcentração de lucros com a utilização de qualquer mecanismo de viabilização, seja este eticamente aceito ou não. O traficante faz exatamente isso: usa a mão de ferro e a arma para impor o terror porque lhe é conveniente. De alguma maneira ele cuida da disciplina de seus subordinados, mas pensando no consumidor, que não pode ser abalado por uma instabilidade na região das vendas. Enfim, é tudo aquilo que se observa na ação de um executivo, que segundo o estudo britânico são os mais selvagens.” (p. 8 )

O que nos faz voltar à velha discussão: ser legalista (ou seja, fazer estritamente o que está na lei) é ser ético?

Também nos faz pensar: são os traficantes que estão usando a lógica empresarial? Ou a única forma possível de gestão, no capitalismo selvagem, é a força bruta? Afinal, como podemos manter pessoas que não questionam e se sacrificam ao máximo, sem a pressão através da punição?

A questão vai longe…

Bibliografia: Le Monde Diplomatique Brasil. Ano 3, n. 26, set. 2009.

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Maslow Desconhecido

28 / Maio / 2009 por Augusto Galery

Recomendo a todos a leitura do artigo O Maslow Desconhecido, de Jáder Sampaio. Todos sabem que sou fã da seriedade do Jáder, mesmo quando não concordamos plenamente em termos de teoria. O texto faz uma revisão madura e necessária das teorias de motivação de Maslow, mostrando como sua teoria foi encaixotada e endurecida pela visão pragmática. Para termos uma idéia, basta citar que o autor clássico - considerado pai das teorias motivacionais e citado por 11 em cada 10 trabalhos de motivação - postulou sete necessidades do homem, mas apenas cinco aparecem nos livros de administração…

Leiam o artigo: http://www.rausp.usp.br/busca/artigo.asp?num_artigo=1360

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O Grande Homem em Freud

23 / Maio / 2009 por Augusto Galery

Há três textos onde S. Freud tenta analisar o líder de massas - ou o grande homem, como se refere nos textos: Totem e Tabu (1913); Psicologia das massas e análise do ego (1921) e Moisés e o monoteísmo (1939). Podemos perceber, nesses três textos, diferentes relações entre o líder e as massas: No texto de 1913, o chefe se iguala a um pai tirano, que subjuga os demais e concentra o poder, na forma da palavra e da sexualidade; no texto de 1921, percebemos um líder “hipnotizador”, cujo olhar é capaz de colocá-lo na posição de ideal do ego, ou seja, do ser que encarna os desejos do grupo. No último texto, aparece o líder sedutor, que não é escolhido pela massa mas, ao contrário, a escolhe e seduz.

O que é interessante notar é que Freud, no texto de 1939, dá a entender que esses não são líderes de tipos diferentes. São momentos diferentes da liderança. Isso significa que o líder sedutor, que hipnotiza a massa e torna-se o porta-voz de seus ideais sempre terminará como o líder tirano, cujo destino é ser morto pela mão dos liderados.

A pergunta que fica no ar é: existe um modo de não entrar nesse ciclo idealizado e que terminará no assassinato (mesmo que simbólico) do grande homem e na culpa subsequente que carregará a sociedade?

Jacqueline Barus-Michel, no texto A democracia ou a sociedade sem pai, afirma que sim: a democracia seria essa forma de exercício político que prescinde do pai que se tornará tirano. E a democracia é assegurada pela transmissão entre gerações do conceito de igualdade e liberdade e, também, da herança de culpa desse assassinato do pai que, para Freud, inaugura a civilização.

Mas o equilíbrio parece tênue, não? Um pequeno fio, como uma crise ou um líder extremamente sedutor parecem ter o poder de desequilibrar a democracia, como mostram os exemplos históricos, do qual o mais traumático, provavelmente, é o de Adolf Hitler.

Parece oportuno estudar a questão, em tempos de crise, de Hugo Chaves e da discussão sobre o terceiro mandato do Lula.

Bibliografia:

Freud, Sigmund. Totem e tabu; Psicologia das massas e análise do eu; Moisés e o monoteísmo. Edição eletrônica das obras completas. Editora Imago.

Barus-Michel. A democracia ou a sociedade sem pai. in Araújo, José Newton A. et al. Figura paterna e ordem social. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.

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Da horda ao Estado

29 / Abril / 2009 por Augusto Galery

Estava relendo o belo trabalho de Eugène Enriquez, o livro Da horda ao Estado. O autor faz um excelente apanhado da obra social de Freud, para mostrar o que chama de Psicanálise do Vínculo Social. Ele resume e analisa Totem e Tabu, Psicologia das Massas e Análise do Ego, O Futuro de uma Ilusão, O Mal-Estar na Civilização, Moisés e o Monoteísmo e Reflexões para os Tempos de Guerra e Morte. O melhor resumo da teoria do vínculo social freudiana é dada pelo próprio autor:

“Nos textos que examinamos, o problema central é sempre a natureza, a origem e o destino do vínculo social. Assistimos ao nascimento hesitante desse vínculo no começo dos tempos, quando reinava o arbítrio do chefe da horda, e corremos o risco de assistir à sua degeneração e sua morte com o desenvolvimento da civilização moderna, cuja expressão última e mais elevada é a guerra total e o retorno ao barbarismo” (p. 155).

É uma pena constatar que Da horda ao Estado se encontra esgotado há vários anos, levando a abusos como cobrar, por um exemplar usado, R$ 250,00! Por isso, faço o pedido a todos os que passam por aqui para ir até o site da Jorge Zahar e pedir a reimpressão do livro.

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Memória Roda Viva

3 / Fevereiro / 2009 por Augusto Galery

Antes de mais nada, que 2009 seja um bom ano para todos.

O Roda Viva, como todos devem saber, é um programa da TV Cultura que costuma entrevistar pensadores nacionais e internacionais de relevância. Agora, a Fundação Padre Anchieta, a Fapesp e a Unicamp estão disponibilizando, gratuitamente, o conteúdo transcrito das entrevistas, no Projeto Memória Roda Viva. Nem todas as entrevistas estão disponíveis, mas a idéia do projeto é colocar, na íntegra, a transcrição de todos os programas já realizados.

Numa passagem rápida, achei entrevistas com Alain Torraine, Domênico de Masi, Anthony Giddens, Milton Santos, Marilena Chauí e um debate sobre a inclusão de pessoas com deficiência, entre outros…

http://www.rodaviva.fapesp.br/

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Revista Terceiro Setor

11 / Dezembro / 2008 por Augusto Galery

O bom amigo Prof. Estender (a quem, desde já, agradeço pela notícia) nos informa que a Universidade de Guarulhos - UnG - lançou, no semestre passado, a revista Terceiro Setor. O segundo número acaba de ser lançado, trazendo artigos que vão da filosofia à economia, passando por inclusão digital, psicopedagogia, responsabilidade social e outros, mostrando que a revista assume um viês multidisciplinar.

É possível fazer download das versões digitais (completas) no site da revista: http://revistas.ung.br/index.php/3setor.

Fica o incentivo para nós, psicólogos sociais, contribuirmos no debate, inclusive a partir de uma visão crítica, já que a responsabilidade social tem sido, muitas vezes, desvirtuada pelo marketing social, e o terceiro setor tem sido usado como um mecanismo de desmonte neoliberal do Estado.

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Charles Melman

8 / Outubro / 2008 por Augusto Galery

Apesar da psicanálise não me atrair em demasia, vale a pena a leitura da entrevista da IstoÉ com o psicanalista Charles Melman. Ele aponta para a falência da ética e para a ‘religião do prazer’ de uma forma bastante interessante, atualizando Freud e Lacan.

A entrevista está aqui: http://www.terra.com.br/istoe/1824/1824_vermelhas_01.htm

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L.E.R.

30 / Setembro / 2008 por Augusto Galery

Acaba de sair uma reportagem na Folha Equilíbrio Online - clique aqui para ver - sobre as lesões por esforço repetitivo. Achei que, a essa altura do campeonato, a organização do trabalho já fosse oficialmente considerada como causa das lesões mas, ao que parece, o esforço de caracterizar a L.E.R. como um problema individual - adquiro L.E.R. porque minha postura está errada e eu não gosto de meu trabalho - e psicológica - citando a reportagem: ” ‘Quando a pessoa não gosta do trabalho que faz, pode ser que o corpo manifeste esse descontentamento, que a princípio é uma questão psíquica’, conta o médico Ricardo Nahas” - continua firme e forte.

O papel da organização do trabalho no desenvolvimento das L.E.R. já foi bem documentado em livros como:

LIMA, M. Elizabeth A. ; ARAÚJO, José Newton Garcia de ; LIMA, F. P. A. ; NEVES, M. A. . L.E.R. - Dimensões ergonômicas e psicossociais. 1. ed. Belo Horizonte: HEALTH, 1997. 361 p.

No livro, o papel da aceleração do ritmo de trabalho, a pressão por produção e as condições ergonômicas são avaliadas através de pesquisas, demonstrando o papel da organização do trabalho como um dos principais fatores que desencadeiam as lesões por esforço repetitivo.

No entanto, como é comum acontecer, as abordagens individualizantes são mais divulgadas nas mídias de massa e ‘aceitas’ pelas organizações, que se eximem assim da responsabilidade sobre os fatos. O adoecer fica caracterizado como uma característica pessoal, intrínseca ao trabalhador, e não como resultante da relação entre o trabalhador e a organização, relação essa conflitante, na maioria das vezes.

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O peso da escolha

4 / Setembro / 2008 por Augusto Galery

O número 21, deste ano, da revista Teoria e Debate traz uma reportagem de Gustavo Venturini sobre uma pesquisa das Fundações Perseu Abramo e Rosa Luxemburg sobre a intolerância à diversidade sexual.

Se, por um lado, toda a reportagem é interessante na questão da diversidade sexual, me chamou a atenção, particularmente, as respostas estimuladas em relação a determinados grupos de pessoas, feitas para se comparar o preconceito entre esses grupos e a população-alvo da pesquisa (o público LGBT - Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, de acordo com a terminologia usada). A pergunta era algo como ‘como você se sente ao encontrar desconhecidos de diferentes grupos de pessoas’. Um gráfico da revista mostra o resultado para os diversos grupos:

Gráfico de aversão ou intolerância a grupos de pessoas

De acordo com a reportagem, “as identidades sexuais so perderam em taxa de intolerância para dois líderes incontestes: ateus […] e usuários de droga […]” (Venturini, p. 23).

Se toda a pesquisa tem grande importância no contexto da diversidade sexual, chama a atenção, para mim, nesse resultado, duas características que parecem deixar claro o caráter religioso de nossa sociedade. Em primeiro lugar, o fato dos ateus estarem em primeiro lugar na lista, junto com o contraste de que o grupo que dá mais ’satisfação/alegria’ ao ser encontrado é exatamente o de ‘pessoas religiosas’ (líder também inconteste, como podemos perceber pelo gráfico). Esse caráter religioso parece estar claramente vinculado, por exemplo, ao preconceitos contra o público LGBT. Por exemplo, 92% dos entrevistados concordam, em algum grau, com a frase “Deus fez o homem e a mulher com sexos diferentes para que cumpram seu papel e tenham filhos” (84% dos entrevistados concorda totalmente com essa frase, 8% concordam em parte).

A segunda questão que me chama a atenção é que, ao meu ver, as três categorias que sofrem maior aversão - ateus, usuários de drogas e LGBT - estão ligados, pelo menos na visão popular, a uma escolha. Venturini percebe a questão em relação ao público LGBT e coloca a hipótese de que a visão da identidade sexual como opção é um dos fatores que aumenta o preconceito, quando contrastado, por exemplo, com questões étnicas ou etárias, vistas como ‘naturais’ , sem escolha. Parece-me que essa hipótese da escolha se demonstra também nos grupos dos usuários de droga e dos ateus.

E o conceito de opção não é uma questão religiosa, para a população? Não tem a ver com o livre-arbítrio, que nos foi ‘dado’ por Deus, para que tivéssemos que ‘optar’ por aceitá-lo e a todas as suas condições? Assim, ter o livre-arbítrio e utilizá-lo para ir contra as ordens de Deus parece ser visto como o pior crime que um ser humano pode cometer, merecendo, assim, quem o pratica, a repulsa e a antipatia do resto da sociedade.

Bibliografia:

VENTURINI, Gustavo. Intolerância à diversidade sexual. Revista Teoria e Debate. São Paulo, ano 21, n. 78, jul/ago 2008, p. 20-23.

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Cartilha para eleições

29 / Agosto / 2008 por Augusto Galery

A Cartilha Seu voto vale ouro foi desenvolvida “para jovens e adultos com baixa proficiência em leitura e interpretação de texto, além de populações periféricas de baixa renda e sem acesso a um tipo de informação básica e essencial, que misture, ao mesmo tempo, serviços, informações e conteúdo cidadão, focado nas eleições municipais de são paulo de 2008″, como nos conta uma das colaboradoras na sua criação, Márcia Bechara.

“No entanto,” ela continua, “percebemos que este público pode ser ampliado, uma vez que organizações ligadas à Unicef e outros têm demonstrado também interesse em repercutir este material com crianças e adolescentes de todos os tipos”.

A apostila é bem simples e traz os tópicos básicos para ensinar os princípios democráticos por trás das eleições e suscitar debates entre esses públicos citados.

Para conferir a cartilha, idealizada e realizada por  Fabiana Pereira (pesquisa e texto) e Márcia Bechara (ilustração e arte), é só acessar o blog http://seuvotovaleouro.wordpress.com/.

Cartilha Seu Voto Vale Ouro

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Um paralelo entre o desemprego e a psicose

14 / Agosto / 2008 por Augusto Galery

O desemprego tem sido visto como uma ruptura de conseqüências imensas na vida dos trabalhadores. Seu impacto psicossocial é, provavelmente, um dos mais importantes, na atualidade. No texto Psicose e desemprego: um paralelo entre experiências psicossociais de ruptura biográfica, Marcelo Ribeiro compara as fases pelas quais atravessam os psicóticos e os desempregados, percebendo que o ‘caminho natural’ a essas duas personagens sociais é a estigmatização e a exclusão social.

Em qualquer um dos casos - na psicose ou no desemprego - uma mudança social complexa se exige, no sentido de tornar a sociedade mais inclusiva, com um modelo menos agressivo e limitador do que o capitalismo exacerbado atual.

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Uma teoria de formação dos grupos em Durkheim

12 / Julho / 2008 por Augusto Galery

Estudando o prefácio à segunda edição do Da divisão do trabalho social, de Émile Durkheim, em nosso grupo de estudo, nos deparamos com uma teoria do sociólogo a respeito de como se formam os grupos restritos na sociedade. Transcrevo aqui o trecho e abro a discussão: qual a distância entre Durkheim e as teorias atuais de grupo?

“A partir do instante em que, no seio de uma sociedade política, certo número de indivíduos têm em comum idéias, interesses, sentimentos, ocupações que o resto da população não partilha com eles, é inevitável que, sob influência dessas similitudes, eles sejam atraídos uns para os outros, que se procurem, teçam relações, se associem e que se forme assim, pouco a pouco, um grupo restrito, com sua fisionomia especial no seio da sociedade geral. Porém, uma vez formado o grupo, dele emana uma vida moral que traz, naturalmente, a marca das condições particulares em que é elaborada. Porque é impossível que homens vivam juntos, estejam regularmente em contato, sem adquirirem o sentimento do todo que formam por sua união, sem que se apeguem a esse todo, se preocupem com seus interesses e o levem em conta em sua conduta. Ora, esse apego a algo que supera o indivíduo, essa subordinação dos interesses particulares ao interesse geral, é a própria fonte de toda atividade moral. Basta que esse sentimento se precise e se determine, que, aplicando-se às circunstâncias mais ordinárias e mais importantes da vida, se traduza em fórmulas definidas, para que se tenha um corpo de regras morais em via de se constituir.”

DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. 2a. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. XXI.

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Psicologia do Trabalho

3 / Julho / 2008 por Augusto Galery

Acabo de saber que o professor Jáder dos Reis Sampaio tem um blog sobre psicologia do trabalho. Considero o Jáder o melhor psicólogo do trabalho da nova geração e recomendo a leitura. O site é:

http://psitrab.blogspot.com/

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Sujeito-cidadão

27 / Junho / 2008 por Augusto Galery

Lembro-me de uma conversa que tive em sala de aula, onde meus alunos tentavam defender que as empresas podiam ser democráticas e eu dizia que a presença dos acionistas (os capitalistas per si) inviabilizava a plena realização da democracia numa empresa. Lá pelas tantas, uma aluna afirmou: mas os acionistas são democráticos ‘entre si’! Assim, eles podiam ser considerados sujeitos de sua própria história.

Conto o acontecido pois acabo de ler os textos de Manzini Covre sobre o sujeito-cidadão, na coletânea organizada por ela, Mudança de Sentido, Sujeitos e Cidadania. O conceito de sujeito, velho amigos dos psicossociólogos e das teorias críticas da psicologia e sociologia, é revisitado para deixar claro que ser sujeito não é ser individualista.

Achei a discussão importante. Ao trabalhar com grupos, é comum vermos acontecer, num primeiro momento, um desejo totalizante, em que o grupo confunde ser sujeito com ‘fazer o que quer’. O auto-reforçamento do grupo dá aos seus integrantes a sensação de onipotência e um profissional que não tenha refletido sobre o assunto pode se ver em problemas ao não conseguir lidar com o desejo do grupo de impor sua vontade.

A reflexão sobre o conceito de cidadania é fundamental, nesse sentido. Em primeiro lugar, pela noção de direitos e deveres. Em segundo, talvez mais importante, pela noção de polis, de vida em conjunto e da noção de direitos universais. Ser sujeito é ser ator em sua própria história, mas também significa ver o outro como ator.

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Movimentos de Análise do Poder nas Organizações

10 / Junho / 2008 por Augusto Galery

Eu e Liliane estamos constituindo um Grupo de Estudos sobre Movimentos de Análise do Poder nas Organizações, que deve começar em agosto. Se alguém se interessar, entre em contato conosco.

Movimentos de Análise do Poder nas Organizações

Tema: Teorias e Métodos da Psicologia Social voltados para a análise do poder nas organizações e os impactos deste na saúde mental dos trabalhadores.

A Psicologia Social tem provido diversas formas de analisar as organizações de forma a torná-las mais humanas. Enquanto alguns movimentos visam a ocultação dos conflitos na organização (principalmente as teorias humanistas organizacionais), outras teorias e métodos buscam analisar a questão do poder, de forma a deixar aflorar os não-ditos culturais, para tornar as organizações mais saudáveis e democráticas. O presente grupo de estudo visa explorar as teorias que formam essa vertente da psicologia social, explorando autores como Freud, Marx, Lapassade, Enriquez, Baremblitt e outros.

 

Programa de Estudo:

1) Antecedentes

2) Psicossociologia

3) Saúde Mental e Trabalho

4) Movimento Institucionalista

 

Dinâmica:

Período: Segundo semestre de 2008

Periodicidade: quinzenal.

Número de participantes: mínimo de 3 e máximo de 9.

Datas, horários e local a confirmar

Valor: R$ 170,00 (cento e setenta reais) mensais por participante.

Os interessados podem entrar em contato pelos e-mails augusto@psicossocial.com.br ou liliane@psicossocial.com.br.

 

Coordenadores:

Augusto Galery é Psicólogo com especialização em Saúde Mental e Trabalho e Mestre em Administração. Fez formação em Análise Institucional na Fundação Félix Guattari de Belo Horizonte (MG). Participou da formação do Núcleo de Psicossociologia da Universidade Federal de Minas Gerais. É pesquisador e interventor nas áreas de Psicossociologia e Inclusão Social, tendo atuado em organizações como o Centro de Pesquisa René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz e a Escola de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais.

Liliane M. A. Silva é Psicóloga com formação em Psicanálise iniciada pela ALEPH e Mestra em Psicologia. É docente de disciplinas voltadas à Psicologia e Intervenção Social, e possui experiência em Projetos Sociais.

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Identidade, Sofrimento Mental e Trabalho

27 / Maio / 2008 por Augusto Galery

Há alguns meses atrás, escrevi um pequeno texto a respeito de Identidade, Sofrimento Mental e Trabalho, que foi apresentado em uma aula para um grupo de estudo de psicologia. É um texto bastante informal sobre as relações entre esses temas, mas que traz uma visão introdutória sobre o assunto.

Apresento, ainda, como vejo que a atuação psicossociológica pode atuar nesse tema. Espero que vocês achem interessante.

Para fazer o download em PDF, clique aqui: Identidade, Sofrimento Mental e Trabalho

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Sociedade Inclusiva

19 / Maio / 2008 por Augusto D. Galery

Um dos temas que me interessam estudar é a Inclusão no Trabalho de Pessoas com Deficiência. A Psicologia do Trabalho e a Psicologia Social têm muito a contribuir nessa discussão, analisando as representações sociais que as empresas e colegas de trabalho têm dos incluídos.

Em 2006, Natália e eu publicamos um texto sobre o assunto, nos anais do IV Seminário Internacional Sociedade Inclusiva, da PUC Minas (que pode ser lido aqui: http://www.sociedadeinclusiva.pucminas.br/sem4/096.pdf) analisando as respostas que empresários dão para justificar a presença ou ausência de oportunidades para pessoas com deficiência em suas empresas.

Bom, isso tudo só para introduzir o fato de que foi lançado o blog Assim como você, do jornalista Jairo Marques, que promete trazer serviços, debates, novidades e contar situações vividas pelas pessoas com deficiência. Acho essas iniciativas importantes, porque auxiliam a modificar aquelas mesmas representações sociais que a sociedade conserva da pessoa com deficiência.

Comentário a posteriori: descobri um dicionário de LiBras na Internet que parece bem legal! http://www.acessobrasil.org.br/libras/ 

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