7 / Novembro / 2007 por Augusto D. Galery
Em diversos ambientes de trabalho, observamos hoje uma ‘massificação’ que resulta da falta de reconhecimento das pessoas pela organização. Em ambientes onde o trabalho não é reconhecido - nem o bom, nem o mal - é muito comum que as pessoas se sintam individualizadas, dificultando a formação dos laços que formam os grupos. Há uma espécie de ‘narcisismo’, que surge nessas pessoas: um desejo de ser visto como importante que chega ao ponto do sofrimento.
Quando, à essas condições, se une a impotência em relação à possibilidade de mudança, o sofrimento atinge graus muitas vezes insuportáveis, levando as pessoas a criarem mecanismos de defesa para lidar com ele, que, em geral, vão acentuar aquele narcisismo. Resumindo em uma frase a situação, ‘eu não sou reconhecido e não posso fazer nada para mudar isso’. Esse quadro, muitas vezes, ao que temos chamado de ‘terceirização do problema e da solução’.
Para exemplificar a terceirização: há algum tempo fizemos um trabalho em uma instituição onde as pessoas, ao serem entrevistadas, diziam “existe um problema mas eu faço o meu trabalho, se Fulano fizesse o dele, o problema se resolveria”. O problema é que, ao entrevistar ‘Fulano’, ele dizia exatamente o mesmo…
Sintomas desse quadro são, em geral, apatia e falta de motivação, competição entre pares e falta de cooperação e, é claro, não-resolução dos problemas… Uma estratégia como ‘eleger o melhor funcionário do mês’ resultaria em catastrofe, pois aumentaria o narcisismo, acirrando a competição interna…
Quando uma situação dessas se estabelece, é necessário quebrar a defesa das pessoas através do fortalecimento dos vínculos entre elas. Uma dica boa sobre o assunto é o texto ’O papel do sujeito humano na dinâmica social’, de Eugène Enriquez, parte do livro Psicossociologia. Análise Social e Intervenção, organizado por Marília Mata Machado et al (Ed. Autêntica).