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Sujeito-cidadão
Lembro-me de uma conversa que tive em sala de aula, onde meus alunos tentavam defender que as empresas podiam ser democráticas e eu dizia que a presença dos acionistas (os capitalistas per si) inviabilizava a plena realização da democracia numa empresa. Lá pelas tantas, uma aluna afirmou: mas os acionistas são democráticos ‘entre si’! Assim, eles podiam ser considerados sujeitos de sua própria história.
Conto o acontecido pois acabo de ler os textos de Manzini Covre sobre o sujeito-cidadão, na coletânea organizada por ela, Mudança de Sentido, Sujeitos e Cidadania. O conceito de sujeito, velho amigos dos psicossociólogos e das teorias críticas da psicologia e sociologia, é revisitado para deixar claro que ser sujeito não é ser individualista.
Achei a discussão importante. Ao trabalhar com grupos, é comum vermos acontecer, num primeiro momento, um desejo totalizante, em que o grupo confunde ser sujeito com ‘fazer o que quer’. O auto-reforçamento do grupo dá aos seus integrantes a sensação de onipotência e um profissional que não tenha refletido sobre o assunto pode se ver em problemas ao não conseguir lidar com o desejo do grupo de impor sua vontade.
A reflexão sobre o conceito de cidadania é fundamental, nesse sentido. Em primeiro lugar, pela noção de direitos e deveres. Em segundo, talvez mais importante, pela noção de polis, de vida em conjunto e da noção de direitos universais. Ser sujeito é ser ator em sua própria história, mas também significa ver o outro como ator.




