Teorias e práticas da Psicologia Social

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Entrevista do Prof. Jáder Sampaio sobre Pressão no Trabalho

26 / Fevereiro / 2009 por Augusto Galery

O caro amigo, Prof. Jáder Sampaio, da UFMG, deu uma breve entrevista sobre as consequências do aumento de pressão sobre o trabalho. Apesar dele ser mais otimista do que eu a respeito do futuro, vale a pena ouvi-lo, para refletir sobre o assunto.

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Educação e ideologia

23 / Fevereiro / 2009 por Augusto Galery

As escolas do MST no Rio Grande do Sul foram extintas, de acordo com notícia vinculada na Folha de São Paulo (clique aqui para ler).  A justificativa para o fato, de acordo com o procurador de Justiça Gilberto Thums, autor do termo de ajustamento que extinguiu as escolas, foi o seguinte:

Não é educação, é uma farsa na qual as crianças estão condenadas a seguir a ideologia dos líderes do MST. É um processo de alienação que não pode ser bancado pelo contribuinte“.

Talvez fosse interessante vasculhar um pouco esses dois termos: ‘ideologia’ e ‘alienação’, usados pelo procurador. Não teremos espaço, aqui, para tanto, mas ficamos com uma dúvida: qual educação, nos moldes atuais, não é ideológica? Qual delas não é alienante?

Uma grande parte de nossas escola é ligada a igrejas e tem aulas de religião. Isso também não é interferir ideologicamente no conteúdo dado aos alunos? Será que as escolas católicas serão, então, extintas pelo senhor Thums?

Além disso, muito se tem discutido a respeito de como as estruturas escolares colaboram para a falta de participação política da população. Recorro ao conceito de Hofstede de ‘distância do poder’: As escolas não vem sendo um dos lugares onde mais aprendemos a obedecer sem questionar? Onde o poder do ‘mestre’ é inquestionável e só resta às crianças obedecê-lo? Isso não contribui para a alienação, num sentido lato?

Talvez o que o procurador devesse dizer que as escolas do MST não condizem com a ideologia que ele gostaria que as crianças tivessem, para manter a sociedade no atual status quo. Mas aí, provavelmente, ele não teria tanto apoio…

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A quem serve a crise?

12 / Fevereiro / 2009 por Augusto Galery

Vão me chamar de ‘paranóico’, mas a ideia aqui é apenas tentar fazer uma reflexão sobre se a presente crise econômica que o mundo passa é uma crise do capitalismo - levando o mundo, assim, para o socialismo, de acordo com a tese de Marx e Engels, no Manifesto Comunista - ou se a atual crise servirá para fortalecer o capitalismo.

Gostaria de citar a análise de Singer do Manifesto Comunista, para exemplificar a questão:

“O capitalismo muda sempre, em consequência de suas próprias contradições, que se manifestam concretamente na luta de classes, sem deixar de ser, no entanto, ele mesmo. Identidade que se renova sem cessar, à medida que promove o avanço das forças produtivas de forma acelerada, o capitalismo também não pode deixar de transformar as demandas que o superam, as exigências das classes sociais que nele são exploradas e oprimidas” (1980, p. 16-17).

Essa frase encerra duas importantes lições: 1) que o que levaria o capitalismo a um possível socialismo são as demandas das classes exploradas, expostas através de movimentos sociais (e não necessariamente através de uma revolução armada). Ou seja, o fato dos trabalhadores buscarem melhorias na qualidade de vida, com a diminuição da exploração, e uma participação política maior levaria o capitalismo, gradativamente, a avançar em direção ao socialismo.

2) Que o capitalismo se renova, se transfigura - tanto no discurso quanto nos atos - para ‘atrasar’ essa evolução e manter o status quo atual. Ou seja, o capitalismo busca formas de disciplinar as classes exploradas, seja através da sedução dos discursos da Gestão de Pessoas, seja através do autoritarismo puro e/ou manipulador. Nesse contexto, os movimentos sociais são grandes alvos de atenção.

Assim, temos duas forças que se chocam: os movimentos sociais que buscam diminuir a exploração e a mutabilidade capitalista que busca esvaziar tais movimentos.

Agora pensemos na atual crise: A qual dessas duas forças ela tem servido? Em primeiro lugar, os governos investem bilhões de dólares para manter o sistema financeiro atual. Em segundo lugar, incentiva-se o consumo de qualquer forma, valorizando-se o ‘comprar’ e o ‘ter’. Valoriza-se, portanto, a resposta individualista e econômica (afinal, quem ira ganhar mais com o aumento das vendas?) à crise. Em terceiro lugar, as empresas ameaçam demitir em massa, a não ser que os direitos dos trabalhadores sejam diminuídos ou extintos (acompanhem as tentativas de negociação da Fiesp sobre a diminuição da jornada diária de trabalho para ver um bom exemplo). A ameaça do desemprego, parece-me, é uma das armas mais importantes de esvaziamento das demandas trabalhistas. Diversos sindicatos já aderiram ao discurso de que é melhor perder os direitos do que perder o emprego. Isso, num momento em que o terceiro setor e a opinião pública, de forma global, forçavam as empresas a aumentarem a ética, o que vinha levando, como consequência, a um aumento dos direitos dos trabalhadores…

Concluo, daí, que a presente crise - e, principalmente, a forma com que os países como os Estados Unidos, a França e o Brasil tem lidado com ela - levara, mais provavelmente, a um retrocesso do que a um avanço em direção ao socialismo…

Referências:

SINGER, P. O que é o socialismo, hoje. Petrópolis: Vozes, 1980.

MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Lisboa: Avante, 1997 (1848). Disponível em http://www.marxists.org/portugues/marx/1848/ManifestoDoPartidoComunista/index.htm.

ATUALIZANDO:

Na Folha de São Paulo do dia 8 de março, (Munda, p. A19) há uma materia com o filósofo marxista esloveno Slavoj Zizek. A matéria é bastante superficial, mas há algumas dicas de que o pensamento dele vai ao encontro do meu: a atual crise, no curto prazo, pelo menos, fortalecerá o capitalismo, reformando-o, mas também levará a novas formas de apartheid e estados de emergência. Zizek parece acreditar que os desafios que realmente podem afetar o capitalismo - por este ser incapaz de resolvê-los - serão “a catástrofe ambiental e os abusos da tecnologia de informação, os direitos de propriedade intelectual e a biogenética”…

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Memória Roda Viva

3 / Fevereiro / 2009 por Augusto Galery

Antes de mais nada, que 2009 seja um bom ano para todos.

O Roda Viva, como todos devem saber, é um programa da TV Cultura que costuma entrevistar pensadores nacionais e internacionais de relevância. Agora, a Fundação Padre Anchieta, a Fapesp e a Unicamp estão disponibilizando, gratuitamente, o conteúdo transcrito das entrevistas, no Projeto Memória Roda Viva. Nem todas as entrevistas estão disponíveis, mas a idéia do projeto é colocar, na íntegra, a transcrição de todos os programas já realizados.

Numa passagem rápida, achei entrevistas com Alain Torraine, Domênico de Masi, Anthony Giddens, Milton Santos, Marilena Chauí e um debate sobre a inclusão de pessoas com deficiência, entre outros…

http://www.rodaviva.fapesp.br/

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