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28 / Junho / 2009 por Augusto Galery
K. Marx postulava que o capital busca manter um excedente humano - o exército de reserva - que seria uma certa quantidade de desempregados que pudessem competir com os trabalhadores pelas vagas de trabalho, mantendo, assim, seu baixo valor: com a oferta maior que a demanda, justifica-se baixos salários e formas de exploração baseadas no antigo bordão “se você não quer fazer o que mando, tem quem quer…”.
Uma das formas que o capital tem de manter esse exército é utilizar a tecnologia crescente para substituir o trabalho vivo - aquele realizado pelos seres humanos - pelo trabalho morto - aquele trabalho maquinizado, sem a participação de seres humanos.
Um bom exemplo disso são os atuais serviços telefônicos, como o implantado pela Net para o atendimento de seus clientes. Um sistema automático identifica seu telefone, descobre se há algum problema e uma voz gravada te dá as informações a respeito de sua situação, como por exemplo, dizendo que há problemas técnicos em sua região ou que você não pagou a conta. A gravação, no fim, tenta desestimular você a tentar conversar com uma pessoa, dizendo algo como “nossa central de atendimento não tem nenhuma outra informação, além das que você já ouviu”.
Transforma-se, assim, o relacionamento com os clientes em trabalho morto. Acaba-se com a base da comunicação, que é a reciprocidade, transformando o relacionamento numa via de mão única - já que não há sentido em conversar com a gravação. E, para evitar críticas quanto à ‘frieza’ da gravação, esta vem recheada de vícios de linguagem, como começar as frases com “bom…” ou “agora,…” (por exemplo: “bom, essas são as únicas informações de que dispomos” ou “agora, se você quiser falar com um de nossos atendentes…”).
Só faltou a gravação exagerar no uso dos gerúndios…
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25 / Junho / 2009 por Augusto Galery
| 19 / Agosto / 2009 |
| 12:00 am | até | 9:00 pm |
A Carla Meassi nos enviou convite para o I Encontro de Comunicação e Cidadania do Grupo Idosomídia/ Unesp - Bauru, com o tema “A terceira idade e os meios de comunicação: a imagem do idoso na sociedade”.
Vai ser na Unesp de Bauru, no dia 19 de agosto, das 8h00 às 21h00. Mais informações pelo mailidosomidia@yahoo.com.br e,a partir de 02/07, no site: www.faac.unesp.br/pesquisa/idosomidia
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18 / Junho / 2009 por Augusto Galery
Uma outra conclusão que venho tirando de minhas conversas com o Fred pode parecer meio óbvia, mas para mim foi bastante esclarecedora. Foi entender a quem os discursos se voltam, no neoliberalismo e no marxismo. O “tu” desses dois discursos é bastante diferente e denotam a concepção de sujeito que os neoliberais e os marxistas adotam, o que explicam, em muito, suas diferenças.
Para o marxismo, o sujeito a quem o discurso se refere é, bastante claramente, o “trabalhador”. Trabalhar é, para esses teóricos, o ato que constitui o ser humano. Para os neoliberais, por outro lado, o sujeito é, acima de tudo, “consumidor”. Entende-se, assim, que o sujeito humano se forma através do consumo, e esta é a principal atividade humana. Tal idéia explica, então, o fato de se buscar a competição como regulação de mercado, pois tal competição abaixaria o preço dos produtos, o que é bom para o consumidor.
Se, para se tornar mais competitivo, é necessário explorar recursos ambientais escassos, empobrecer as atividades laborais e fragmentar (ou extinguir) as relações de trabalho, esses são efeitos colaterais toleráveis, desde que o consumo seja permitido.
É por isso que os neoliberais se espantam, genuinamente, quando algum crítico diz que o neoliberalismo é desumano. No paradigma neoliberal, impossível ser mais humanitário do que incentivar o consumo.
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15 / Junho / 2009 por Augusto Galery
Esse post e o próximo são resultantes de uma longa e prazeirosa discussão com um bom amigo, o Fred. O centro da discussão é sobre a esquerda e a direita. Meu amigo defende a tese de que não existe mais separação entre a esquerda e a direita, em especial em países como o Brasil, onde os partidos políticos são ideologicamente fracos.
Minha opinião é diferente. Penso que, em termos de marketing político, o discurso se igualou bastante. Mas, a partir do momento em que os políticos são eleitos, as diferenças entre esquerda e direita ficam claras ou, para ser mais exato, entre aqueles que adotam uma visão neo-liberal - e, assim, buscam o Estado mínimo através de privatizações e, para usar a referência do Bresser, colocam a ordem social acima da justiça social - e aqueles que adotam uma visão mais socialista, buscando fortalecer o Estado e dar mais ênfase à justiça e à igualdade social.
Pensanso assim, as diferenças entre os governos dos presidentes FHC e Lula ficam nítidas. Após eleito, a maior preocupação de FHC foi a de criar condições para um mercado com o mínimo de interferência do Estado. O Lula, por outro lado, deu continuidade à austeridade da política econômica do FHC, mas as ações em que mais investe são na burocratização do Estado e nas políticas sociais, como o Bolsa Família e outros.
É claro, há bons políticos e maus políticos dos dois lados, o que não significa que a diferença entre as ideologias terminou.
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9 / Junho / 2009 por Augusto Galery
Os telejornais noticiaram, hoje, da forma mais desinformada e desinformante possível, que a reitoria da USP está utilizando a tropa de choque da Polícia Militar para reprimir as manifestações de alunos, professores e funcionários, esses últimos em greve já há algum tempo.
Que a reitoria busca transformar a universidade em uma empresa privada, imitando os modelos perversos de gestão criados para essa última, isso tem ficado bastante claro nas políticas que vem implantando. Que a reitoria tem se aproveitado de brechas legais para usar a violência e fugir do debate, também me parece claro, nas conversas que tive nos últimos dias. Mas, admito, toda história tem duas ou mais versões.
Os funcionários do Instituto de Psicologia estão mantendo um blog para dar notícias sobre a greve. Pelo menos, serve como um contraponto para as notícias tendenciosas como as que eu ouvi na Band e, em especial, no SBT.
O endereço do blog é: http://www.greveipusp.blogspot.com/
A tempo: é possível ouvir aqui o depoimento de um professor que estava no local, na hora dos acontecimentos: http://media.folha.uol.com.br/cotidiano/2009/06/09/wagner_costa_ribeiro.mp3
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7 / Junho / 2009 por Augusto Galery
Já há alguns anos venho estudando a questão dos grupos, com os quais trabalho em assessorias, consultorias ou pesquisas. Revendo antigo textos, encontrei uma revisão bibliográfica que fiz a respeito de como o capitalismo vem individualizando a sociedade, como um esforço bastante sedutor e intencional, pois aplica-se, aqui, a regra de ‘dividir para conquistar’.
O texto tinha como objetivo explorar as relações entre o individualismo e as Lesões por Esforço Repetitivo. Minha conclusão, no texto, é que: “a Organização do Trabalho capitalista impõe ao homem uma divisão tripla: divisão entre planejamento e execução, divisão entre as atividades e divisão dos grupos buscando uma individualização do trabalho”.
Dentre as estratégias mais claras de dominação capitalista através do individualismo está o mito do self-made man, que prega que a ascenção social depende exclusivamente do esforço individual. Não à toa, o discurso sobre motivação amplamente divulgado é o que diz que ela é intrínseca ao indivíduo, dependendo apenas dele.
O texto com a revisão teórica pode ser baixado clicando aqui: Divisões do trabalho e individualismo

As divisões do trabalho e o individualismo by Augusto Galery is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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16 / Abril / 2009 por Ana Paula
“Subjetividade e Transformação Social: Contribuições da Psicologia Sócio-Histórica”
03/06/2009 no Tucarena
(Rua Bartira sem nº - próximo a PUC SP)
Das 09h às 17:30h
PROGRAMAÇÃO: 09h às 9h30: Abertura9h30 às 12:00: Conferência: Subjetividade e Transformação Social13h30 às 16h00:Apresentação de Trabalhos como Comunicação Oral16h às 17h30: Reunião Geral de Fechamento Inscrições de trabalho até 11 de maio pelo site: www.pucsp.br/eventos/jornadasociohistoricaParticipação aberta aos interessadosInformações pelo e-mail:sociohistorica@pucsp.br Promoção: Equipe de Psicologia Sócio-Histórica da Faculdade de Psicologia da PUCSP Apoio: Faculdade de Psicologia PUCSP; Programas de Estudos Pós-graduados em Psicologia Social ; Psicologia Clínica e Psicologia da Educação PUCSP Organização: Assessoria de Comunicação Institucional da PUCSP
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