Teorias e práticas da Psicologia Social

Psicossocial

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Plataforma ansiogênica

25 / Outubro / 2009 por Augusto Galery

Descobri, no final da semana passada, um conceito da publicidade que me chamou bastante a atenção. Seus impactos na psicologia são bastante claros. Trata-se da teoria da “plataforma ansiogênica” que, como o próprio nome já implica, busca elevar o nível de ansiedade das pessoas para, a seguir, prometer resolver sua ansiedade ao comprar o produto indicado.

Para variar, o que vale aqui é o resultado, a qualquer custo. Não interessa o impacto disso nas pessoas, expostas a uma rotina diária já ansiogênica e estressante. O vídeo abaixo (legendado em português) explica melhor o conceito.

Note-se como o autor da teoria ironiza aqueles que a criticam. Mas, enquanto fazem por aí pesquisas e afirmações sobre o quão “diabólicos” são os jogos de RPG e de computador e os filmes violentos, os publicitários brincam inconsequentemente com nossas emoções.Seria bom se alguém fizesse um estudo que medisse o que acontece ao nível de estresse das pessoas expostas a propagandas que usam a plataforma ansiogênica. Se alguém souber de algo parecido, por favor, me avise.

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A “modernização” do mundo do trabalho

23 / Outubro / 2009 por Ana Paula


Por mais paradoxal que possa parecer, pesquisas atuais têm apontado que o desenvolvimento do progresso técnico, através da informatização, não tem significado, de um modo geral, qualidade de vida para os trabalhadores. Muito pelo contrário, esse desenvolvimento tem sido pautado pelo aumento do desemprego e redução do número de postos de trabalho, por um lado, e intensificação do ritmo de trabalho, por outro, intervindo sobre a saúde dos que trabalham.

Exemplo disso pode ser observado nos casos das LER/DORT (Lesão por Esforço Repetitivo/ Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), que são hoje a principal causa de afastamento no trabalho no mundo.

O cumprimento de tarefas repetitivas, com fortes exigências de atenção e sob permanente pressões e tensões faz com que o trabalho automatizado seja penoso e sofrido para aqueles que o executam. Nesse sentido, as formas de produção automatizadas, as exigências e organização do trabalho (divisão do trabalho, conteúdo da tarefa, sistema hierárquico, modalidades de comando, das relações de poder, etc) interferem não somente na fisiologia do corpo do trabalhador, mas também sobre sua saúde mental. Portanto, não são raros, os casos de depressão, transtornos de estresse e ansiedade relacionados ao trabalho na contemporaneidade.

São muitos os efeitos nocivos que a intensificação do trabalho e o prolongamento da jornada de trabalho trazem para a saúde e vida dos trabalhadores. É importante lembrar que geralmente os sintomas do adoecimento pelo trabalho são de evolução insidiosa até serem claramente percebidos pelos próprios trabalhadores ou pela família. Inicialmente, poder-se-ia reconhecer um estágio de mal-estar e de tensão, um desconforto psíquico e emocional, que ainda não pode ser considerado patologia. Identificar precocemente esse estágio significa estar atento aos estados de ansiedade, tensão, fadiga, cansaço, distúrbios do sono e a contaminação involuntária do trabalho no tempo de lazer.

Com o passar dos anos, se não é possível modificar as situações de trabalho adoecedoras, poderão surgir transtornos psiquiátricos, com longos períodos para recuperação. Essas formas de adoecimento reduzem a produtividade, a qualidade do trabalho e aumentam os índices de licenças médicas e absenteísmo. Alem do que, interferem sobremaneira nas relações familiares e afetivas dos trabalhadores, sendo comum a disseminação do sofrimento para além do espaço do trabalho.

As formas de gerenciamento do trabalho na contemporaneidade, tanto na iniciativa privada, quanto no setor público, não têm privilegiado a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores. Pelo contrário, muitas delas favorecem a institucionalização de uma violência oculta no trabalho, como já disse o prof. Herval Pina Ribeiro e a profa Margarida Barreto.

A tomada de decisões sobre o trabalho sem a participação dos trabalhadores é uma das formas comuns de gestão do trabalho. Por vezes, encontramos modos de gerenciamento autoritário e antiéticos, nos quais predominam os desmandos, a manipulação do medo e a competitividade.

Nesses casos, temos um terreno propício para a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho, caracterizadas como assédio moral no trabalho, que gera uma tensão interpessoal e modos de sofrimento diante da situação.

Concluindo, acreditamos que a democratização das relações de trabalho é o elemento fundamental da discussão, sem a qual propostas de modernização e informatização, serão nomes novos para problemas arcaicos.

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Elinor Ostrom

19 / Outubro / 2009 por Augusto Galery

O Prêmio Nobel de economia foi dado, esse ano, para Elinor Ostrom. Os jornais alardearam o fato dela ser a primeira mulher a ganhar um nobel nessa categoria, o que é digno de nota. Mas o trabalho com o qual ela ganhou o prêmio parece ainda mais merecedor de atenção.

Seu trabalho critica a gestão dos espaço de uso comunitário tanto pelo Estado quanto por empresas privadas, ou qualquer forma de poder coercitivo. A partir de suas pesquisas, ela conclui que é possível que espaços de uso comum e com recursos comunitários sejam gerenciados efetivamente por organizações voluntárias dentre os usuários daquele espaço.

Ainda preciso ler o livro com calma, mas, à primeira vista, me parece que ela dá base de dados às idéias dos grupelhos autogestivos, como os defendidos por Guattari e Baremblitt. Aponta, portanto, uma terceira via, que não o capitalismo neoliberal ou o socialismo burocrata. Algo no sentido de uma anarquia autosustentável, talvez?

Partes do livro Governing the commons, de sua autoria, está disponível na Internet, no endereço: http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=4xg6oUobMz4C&oi=fnd&pg=PR11&dq=elinor+ostrom&ots=aL8uuLiK_e&sig=ThMYd0mfIYWS2fpMkqbRllbYJ1g#v=onepage&q=&f=false

(agradeço a dica de Barbara Costa)

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Incitação ao suicídio

12 / Outubro / 2009 por Augusto Galery

No Brasil, levar outra pessoa a cometer suicídio é crime. Gostaria de saber como será tratado, na França, o caso de Louis-Pierre Wenes, ex-vice-presidente da France Télécom, cujo plano de reestruturação e metas parece estar relacionado a 24 suicídios (além de outras 13 tentativas), dentro da empresa, conforme notícia veiculada em diversos jornais (cf, por exemplo, aqui, aqui e aqui)

O fato, pelo que noticiam os jornais e por declarações de executivos da companhia, está ligada à privatização da empresa, que modificou os processos de trabalho, implantando, entre outros, a gestão por metas.

Fiz questão de ir ao site da Orange, a empresa que comprou a France Télécom e é responsável pela contratação de Wenes e pela reestruturação da companha, e ver seu discurso sobre as pessoas. O que eu mais gostei foi do bordão: We help you grow! You grow, we grow - everybody wins. (”Nós te ajudamos a crescer! Você cresce, nós crescemos - todos ganham”)

(agradeço a dica de Sandro Serpa)

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IRBEM

3 / Outubro / 2009 por Augusto Galery
7 / Outubro / 2009
12:00 am

O Movimento Nossa São Paulo é uma rede de instituições de São Paulo que se define como um movimento “absolutamente apartidário e inter-religioso, não tem presidente nem diretoria, se constituiu e se expande na forma de rede”. A idéia é interessante (apesar de não ficar claro qual sua vinculação com o Instituto São Paulo Sustentável, que forma a ’secretaria executiva’) e as instituições que participam deixa o movimento com uma cara um bocado plural (vai desde a associações de ongs e a APAE até a Alcoa e uma série de bancos…).

De qualquer forma, eles estão montando um índice para a cidade de São Paulo, o IRBEM -  Indicador de Referência de Bem-Estar. Lembrou-me um pouco a FIB, sobre a qual comentei a tempos atrás. Na primeira parte da metodologia, eles estão fazendo uma consulta pública para a construção do indicador.

Fiz o questionário e achei a idéia interessante. Quem quiser preencher o formulário, tem até 07/10 (apesar de uma área falar em 30/09).

Para acessar o questionário, o endereço é: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/8083

(agradeço à Daniela Azevedo a dica)

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VIII Encontro Regional Sudeste de História Oral

5 / Julho / 2009 por Augusto Galery
5 / Outubro / 2009 8:00 amaté7 / Outubro / 2009 8:00 am

Em Belo Horizonte, nos dias 5 a 7 de outubro, vai acontecer o VIII Encontro Regional Sudeste de História Oral, com o tema “Centros de Pesquisa em História Oral: trajetória, abordagens e avaliações”. Eu, particularmente, acho história oral, quando tomada como metodologia de levantamento de dados, uma das formas mais ricas de pesquisa.

Quem for, por favor, dê notícias.

Mais informações no site:  http://www.fafich.ufmg.br/viiiencontrohistoriaoral/

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