Por mais paradoxal que possa parecer, pesquisas atuais têm apontado que o desenvolvimento do progresso técnico, através da informatização, não tem significado, de um modo geral, qualidade de vida para os trabalhadores. Muito pelo contrário, esse desenvolvimento tem sido pautado pelo aumento do desemprego e redução do número de postos de trabalho, por um lado, e intensificação do ritmo de trabalho, por outro, intervindo sobre a saúde dos que trabalham.
Exemplo disso pode ser observado nos casos das LER/DORT (Lesão por Esforço Repetitivo/ Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), que são hoje a principal causa de afastamento no trabalho no mundo.
O cumprimento de tarefas repetitivas, com fortes exigências de atenção e sob permanente pressões e tensões faz com que o trabalho automatizado seja penoso e sofrido para aqueles que o executam. Nesse sentido, as formas de produção automatizadas, as exigências e organização do trabalho (divisão do trabalho, conteúdo da tarefa, sistema hierárquico, modalidades de comando, das relações de poder, etc) interferem não somente na fisiologia do corpo do trabalhador, mas também sobre sua saúde mental. Portanto, não são raros, os casos de depressão, transtornos de estresse e ansiedade relacionados ao trabalho na contemporaneidade.
São muitos os efeitos nocivos que a intensificação do trabalho e o prolongamento da jornada de trabalho trazem para a saúde e vida dos trabalhadores. É importante lembrar que geralmente os sintomas do adoecimento pelo trabalho são de evolução insidiosa até serem claramente percebidos pelos próprios trabalhadores ou pela família. Inicialmente, poder-se-ia reconhecer um estágio de mal-estar e de tensão, um desconforto psíquico e emocional, que ainda não pode ser considerado patologia. Identificar precocemente esse estágio significa estar atento aos estados de ansiedade, tensão, fadiga, cansaço, distúrbios do sono e a contaminação involuntária do trabalho no tempo de lazer.
Com o passar dos anos, se não é possível modificar as situações de trabalho adoecedoras, poderão surgir transtornos psiquiátricos, com longos períodos para recuperação. Essas formas de adoecimento reduzem a produtividade, a qualidade do trabalho e aumentam os índices de licenças médicas e absenteísmo. Alem do que, interferem sobremaneira nas relações familiares e afetivas dos trabalhadores, sendo comum a disseminação do sofrimento para além do espaço do trabalho.
As formas de gerenciamento do trabalho na contemporaneidade, tanto na iniciativa privada, quanto no setor público, não têm privilegiado a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores. Pelo contrário, muitas delas favorecem a institucionalização de uma violência oculta no trabalho, como já disse o prof. Herval Pina Ribeiro e a profa Margarida Barreto.
A tomada de decisões sobre o trabalho sem a participação dos trabalhadores é uma das formas comuns de gestão do trabalho. Por vezes, encontramos modos de gerenciamento autoritário e antiéticos, nos quais predominam os desmandos, a manipulação do medo e a competitividade.
Nesses casos, temos um terreno propício para a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho, caracterizadas como assédio moral no trabalho, que gera uma tensão interpessoal e modos de sofrimento diante da situação.
Concluindo, acreditamos que a democratização das relações de trabalho é o elemento fundamental da discussão, sem a qual propostas de modernização e informatização, serão nomes novos para problemas arcaicos.