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Você foi desativado!

27 / Outubro / 2010 por Augusto Galery

Repassando um belo texto de Courtine e Haroche, inédito, e traduzido por Mariana Côrtes, que aborda, ao mesmo tempo, a precariedade do mundo do trabalho, reduzido, cada vez mais, a um taylorismo selvagem e mecanicista, e a precariedade da educação,vista como produto descartável ou, pior, supérfluo, diante do utilitarismo reinante. A introdução é da tradutora.

Caros amigos,

 Peço a gentileza de divulgarem o texto abaixo. Ele foi escrito pelos pesquisadores franceses Jean-Jacques Courtine e Claudine Haroche em resposta à demissão, sem qualquer justificativa plausível, de sete professores do Departamento de francês da Universidade do Estado de Nova York (SUNY) em Albany. Sabemos que a precarização da carreira de professor e a deslegitimação das humanidades nas universidades é um processo em curso que ultrapassa em muito a realidade norte-americana, estendo-se a tendências generalizadas que podemos acompanhar em vários países. Não podemos ficar em silêncio diante de eventos como esse, que nos antecipam, como lembra os autores, o horizonte político prenunciado por George Orwell. Agradeço desde já a divulgação.

 

Um abraço,

Mariana Côrtes.

 

“Você foi desativado!”
Precarização dos professores e declínio das humanidades na universidade

            Poderíamos pensar que esta fórmula era uma invenção de George Orwell… Engano: ela é, na sua brutalidade lacônica, a mensagem em “nova língua” administrativa que os sete professores do Departamento de francês da Universidade do Estado de Nova York (SUNY) em Albany acabaram de receber da Presidência de seu estabelecimento. Cada um deles possuía, no entanto, o que se chama nos Estados Unidos de “tenure”: eles pensavam ser beneficiários de uma segurança absoluta no emprego. Aos mais velhos, aconselhou-se uma aposentadoria antecipada; aos mais jovens, “de perseguir sua carreira em outro lugar”. Aos primeiros como aos segundos, nenhum erro profissional lhes foi advertido: eles foram tratados como engrenagens de uma máquina que, deixando de ser rentável, é simplesmente desligada. Não há “desativação” sem desumanização prévia. Estamos mais uma vez no horizonte antecipado por Orwell.

O que acaba de se produzir em Albany, para além das conseqüências humanas em relação às quais é impossível ficar insensível, revela tendências gerais extremamente preocupantes que hoje afetam em profundidade o ensino superior nos Estados Unidos. Com respeito a isso, existem na França tenazes ilusões de ótica: vislumbra-se apenas a vitrine superexposta dos estabelecimentos de excelência de Shanghaï, enquanto ignora-se a face mais obscura de uma multitude de universidades anônimas que se ocupam entretanto da grande maioria da população de estudantes.

Este setor é hoje gravemente ameaçado por uma reestruturação econômica e intelectual brutal: as “desativações” praticadas à SUNY testemunham a severidade dos cortes orçamentários que liquidam os domínios considerados menos rentáveis (os programas de francês, de italiano, de russo, de teatro e letras clássicas foram simultaneamente riscados do mapa), enquanto o emprego se precariza massivamente. Não há mais do que 35% de professores titulares ou em vias de se tornar titulares nas universidades norte-americanas, no mesmo passo em que se desenvolve um corpo de professores auxiliares (adjuncts), precários e nômades, cuja existência de desenrola sob as rodovias que os conduzem de uma universidade à outra, e de uma sala de aula à outra. Segundo dados apresentados por Mark Bousquet (2008) e Frank Donoghue (2008), a porcentagem de auxiliares passou, para o conjunto da universidade americana, de 40 a 65% nos últimos 30 anos. É dessa maneira que é preciso entender o sentido literal do conselho dispensado pela direção de SUNY Albany: “vá perseguir sua carreira em outro lugar”, em outras palavras, atrás de um volante.

            A universidade, nos Estados Unidos, foi remodelada logo após a Segunda Guerra Mundial segundo as normas da empresa americana (Lindsay Waters, 2009), conservando ainda assim duas “anomalias” históricas, estranhas à cultura de empresa, e herdadas da tradição universitária européia: a segurança no emprego (a tenure) e um setor importante de atividades intelectuais não diretamente orientadas para o lucro (as humanidades). Estas duas “anomalias” estão em vias de ser “retificadas” sob os nossos olhos. A segurança no emprego está lentamente, mais inequivocamente, desaparecendo da universidade americana, e, junto com ela, a erosão generalizada das proteções individuais que exige hoje o neoliberalismo. Quanto às humanidades, a brutalidade das medidas adotadas pela Presidência de SUNY Albany tem, paradoxalmente, um grande mérito: aquele de ter demonstrado o que poderá se tornar uma realidade banal para as universidades, no âmbito das quais, um belo dia, as humanidades deixarão de serem ensinadas. E onde, junto com elas, as ficções imaginadas por Orwell cairão no esquecimento…

Autores:
Jean-Jacques Courtine
Professor à l’Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III)
Professor Emeritus, University of California at Santa Barbara

Claudine Haroche
Directeur de recherches au CNRS

Tradução:
Mariana Côrtes
Doutoranda à Universidade Estadual de Campinas

Bibliografia:
Mark Bousquet, How the University Works. Higher Education & the Low-Wage Nation, New York, NYU Press, 2008.
Frank Donoghue, The Last Professeurs. The Corporate University & the Fate of the Humanities, New York, Fordham University Press, 2008.
Lindsay Waters, L’Eclipse du savoir, Paris, Allia, 2009.

(agradecimentos a Emi Koide, pelo envio do texto via grupo pospsicousp)

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Mestrado: Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local

1 / Outubro / 2010 por Natalia Alves

Divulgando mestrado profissional no Centro Universitário UNA (Belo Horizonte)

Mestrado Profissional em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local

Inscrições: de 15 de setembro a 20 de outubro de 2010 pelo www.una.br, sendo válidas apenas com a entrega da documentação obrigatória na secretaria da Diretoria de Educação Continuada, Pesquisa e Extensão

Mais informações: (31)3508-9134

Duração: Dois anos

Local: Campus Guajajaras - Rua Guajajaras,175 - Belo Horizonte

Coordenação: Profª. Dra. Lucília Machado (lucilia.machado@una.br)

Mestrado Profissional em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local

O Mestrado Profissional em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local da Una forma profissionais que atendem a necessidades sociais e de demandas políticas, programas, planos e projetos de desenvolvimento local. O aperfeiçoamento de conhecimentos, metodologias e recursos de tecnologias sociais propostos no curso representam efetivas soluções, especialmente nos campos da educação e gestão social. Recomendado pela Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - e apresentado um conceito de pioneirismo, originalidade e consistência, o mestrado busca interação entre formação teórica e prática, sendo o único oferecido no Brasil.

Mestrado Profissional - Concentra sua atividade didática em fazer e responder preguntas relevantes, resolver problemas e transformar práticas, satisfazer necessidades sociais mediante invenção de soluções de alto nível, priorizando o critério de aplicabilidade na avaliação em disciplinas e do trabalho de conclusão de curso.

Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local - São três importantes áreas do conhecimento que propõem o diálogo com a realidade social, visando a solução de problemas  e a identificação de oportunidades, especialmente educacionais e político-sociais, que promovam o desenvolvimento local, integrado e sustentável.

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