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mecanismos de preconceito
Se pudermos pensar, de maneira simplificada e didática, num metaconceito para entender os mecanismos psíquicos por trás do preconceito, eu chamaria atenção para dois processos:
1) a redução do outro a uma única característica realística. Ora, uma das grandes forças adaptativas do ser humano é sua complexidade. Nesse sentido, não há um sujeito igual ao outro na humanidade. Como processo, o preconceito impede a visão do outro como um todo e essa redução será sentida, pelo outro, como uma violência. É, portanto, uma espécie de “esquartejamento psíquico” do outro a uma única parte de sua realidade (a cor da pele, a religião, a presença de deficiência, a escolha sexual etc.). É esse “esquartejamento psíquico” que impede que o outro seja visto como semelhante e sua função é ser um suporte psíquico ao narcisismo.
2) A generalização idealística do outro ao esteriótipo. A partir do momento em que o indivíduo preconceituoso faz essa redução do outro a um único elemento, ele completa, de forma idealizada - ideologizada -, o outro, utilizando para isso os esteriótipos culturais adquiridos socialmente. É, portanto, uma remontagem do outro mas, dessa vez, sem base sólida na realidade.Chamo a atenção, assim, que sempre que se despreza o todo do outro em virtude de um esteriótipo, não importando se as intenções são agressivas ou condescendentes, estamos no terreno do preconceito.
(agradeço a Eliane Costa e Robson Colósio pela discussão a respeito do conceito)


